sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Eu fui... Amante da Aviação



A paixão pelas alturas estava no seu DNA, havia, naquela família, um ancestral que foi considerado um dos maiores acrobatas do Brasil, especializado em - voar de cabeça para baixo - e nisso, ela também se considerava uma expert... só não sabia pilotar aviões (ainda). E, se tinha algo, da qual ela se considerava entendida, era em fazer viagens, reais ou imaginárias.

Era uma sonhadora, desejava que as paixões a levassem até às nuvens, por isso amava os aviões, e também, quem compartilhasse com ela a mesma paixão.

Em razão da sua condição social, sabia que nunca teria a possibilidade de chegar perto de um avião, quanto mais realizar uma viagem em algum deles. Também não se considerava suficientemente inteligente para namorar alguém que vestisse um uniforme de cor azul, da aeronáutica, que ela achava tão atraente...

Enfim, no mundo real, fazer parte do mundo azul dos apaixonados por aviões, poderia até ser impossível, mas no mundo imaginário ela poderia sonhar com o que quisesse, por isso, logo que conheceu a história do aviador-acrobata, que voava invertido, passou a cantar a música de Raul Seixas: Sonho que se sonha só...é só um sonho que se sonha só...Mas sonho que se sonha junto, é realidade.

Na juventude, apaixonou-se por alguém, que também era encantado por aviões. Ela imaginava uma vida emocionante ao seu lado e isso incitou, ainda mais, o seu interesse por aviões fazendo com que ela ignorasse completamente a sua condição social inferior e idealizasse que poderia fazer parte do mundo azul e viver mais próxima do céu.

Movida pela curiosidade, conheceu uma Escola da Aeronáutica e inscreveu-se para lá estudar. A fantasia de ingressar na Força Aérea não se realizou, porém despertou-lhe novos interesses, uma vez descobertos, sabia que podia realizá-los novamente, pois, havia conhecido o prazer de voar. E, se algo impossível cruzara o seu caminho uma vez, o encontro poderia se repetir e ela gostava de acreditar na possibilidade de realizar novas viagens (reais ou imaginárias).

O seu primeiro voo, num pequeno monomotor, aconteceu numa tarde ensolarada de sábado, quando um piloto, amigo da sua tia, esteve na cidade para visitar a família e convidou aquelas moças para um passeio, próximo do céu, para conhecer o seu novo meio de transporte de trabalho. Nesse dia, sentiu mais medo do que prazer. O barulho dentro da aeronave era ensurdecedor, e o acento pulava tanto, que ela pensou que seria arremessada para fora do avião. Depois de uma hora, pousaram com tranquilidade e a sensação, que ficou para ela, foi de alívio. Ufa!! Terra!!

O segundo voo ocorreu de forma inusitada e inesperada. Ela conheceu, no trabalho, um americano, que tinha negociado um Learjet para um coronel reformado da Aeronáutica do Paraguai. Ele a convidou para ir até Assunção entregar o jatinho. Ela não compreendia bem o que ele falava, seu inglês era péssimo, entretanto disse que aceitaria viajar desde que um tradutor os acompanhasse. O texano concordou explicando que estava à espera do despachante aeronáutico, que viria de São Paulo, e seguiria viagem com eles. Ela então aceitou o convite e fez o seu primeiro voo internacional. Foi uma viagem rápida e estupenda, na qual pode sentir a real potência de um avião. No jatinho, os assentos eram confortáveis e não tremiam como no monomotor. Em compensação, em razão da velocidade, sentiu um frio na barriga na hora da decolagem e um medão enorme na hora do pouso, quando viu que o piloto taxiou o brinquedinho só parando no último centímetro da pista, quase dentro d´água de um rio, que existia no final do aeroclube.
Ela, inexperiente, achou que o pouso “não tinha” sido perfeito, depois, entendeu que tinha ocorrido exatamente o contrário. Aquela manobra, ter freado o jato, só no último momento, foi a forma que o piloto americano encontrou para exibir as suas habilidades ao novo cliente. Se a ida para o Paraguai foi em voo particular, a volta para o Brasil foi em voo comercial. Despediram-se no aeroporto, ela retornou para casa, ele voltou para os EUA. 

Ele ainda ligou algumas vezes para ela, mas a dificuldade do idioma não permitiu-lhe compreender quais eram as reais intenções daquele piloto, ou talvez, naquele momento, ela não tivesse coragem suficiente, para considerar àquela proposta como uma oportunidade de sair do país. Na última tentativa de contato, ele enviou-lhe, um cartão enorme, com umas palavras estranhas: San Valentino Day... ela ainda era muito jovem para saber que em alguns lugares do mundo, o dia dos namorados é comemorado no mês de fevereiro, enquanto que no Brasil é no mês de junho... Enfim, ela adorou o cartão que veio de Huston (Texas), era lindo, mas não compreendeu aquele I Love You... Depois dessa “mancada”, ela nunca mais ouviria falar dele. 

Passou-se alguns anos e ela conheceu um controlador de voo. Ficaram amigos e ela foi convidada para fazer uma viagem junto com ele, para Brasília, de carona, num avião Hércules da FAB, aquele foi um voo emocionante, que mostrou-lhe uma outra face da aviação brasileira.

De helicóptero, conheceu às Cataratas do Iguaçu, foi um voo panorâmico, com um piloto experiente, chegava tão próximo das cascatas, que podia sentir-se a garoa fina na face... um espetáculo inesquecível e maravilhoso!

Décadas se passaram até que ela voltasse a sonhar, embarcar em novos voos, e ter novas histórias para contar.

Boeing que cruzou o Atlântico para levá-la para a Europa, era enorme e assustador. O voo, o primeiro num avião de grande porte, foi mais de conhecimento do que de prazer, havia muito medo para ser racionalizado naquele trajeto que mudaria a sua vida para sempre. Com o passar dos anos, quando queria voltar ao Brasil, era esse tipo de avião que ela costumava usar, sendo resinificado apenas como um meio de transporte necessário para diminuir a saudade da família.

Na Europa, preferia viajar de trem, mas, às vezes, o avião ainda era o meio de transporte mais rápido e barato, então utilizava-o para ir visitar outros países, como a Inglaterra, por exemplo.

Ah! lembrou-se que um dia, fez um voo da Itália para a França e emocionou-se ao ver que estava embarcando num avião fabricado pela Embraer. Viver fora do Brasil, tornara-a mais patriota! 

E o que aconteceu com a Amante da Aviação? A rotina ressignificou a sua paixão. Agora, escrevendo, recordou-se que era uma garota pobre, criada sem pai, contudo, com uma mãe corajosa, mas sem condições econômicas para andar num avião, então, em meio a tantas dificuldades, como foi possível a ela ter realizado incontáveis horas de voo?

A resposta só podia ser uma, ela tinha, em seu DNA, resquícios de um acrobata, e ver o mundo de cabeça para baixo ainda era a sua maior especialidade, afinal, ela adorava voar, ou melhor, sonhar.



Link para conhecer a história do maior acrobata do Brasil:


Não se deixe levar pela distância
entre seus sonhos e a realidade.
Se você é capaz de sonhá-los, 
também pode realizá-los.
William Shakespeare

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Eu fui... Motorista Particular!

Ela amava a terra, por isso, se tivesse que escolher entre comprar um bem – casa ou carro – ela optava pela casa, e assim, não adquiriu um carro, e só fez a carteira de motorista no Brasil para cumprir um requisito de melhoria de emprego, quando já tinha completado seus 30 anos. Portanto, dirigir, não estava nos seus planos e consequentemente, ela não se interessava por esse tipo de bem móvel.
Os primeiros anos na Europa foram de vislumbre e conhecimento. Era possível sair pela manhã para dormir em outro país ao fim do dia, viajando de ônibus e não de avião, e isso mostrava-lhe que os meios de transportes eram uma prioridade para os governos europeus. Desta forma, em meio a ônibus, trens, metrôs e bicicletas gratuitas, foi-lhe impossível sentir a necessidade de dirigir um veículo.
Com o tempo, os objetos de consumo podem mudar, por desejo ou necessidade, no caso dela, foi a necessidade que obrigou-a a entender um pouco de carros. 
Ocorreu que foi morar em um cidade e conseguiu um trabalho, num polo industrial, distante uns 15 km de casa. Inicialmente conseguia carona com o boss, patrão em italiano é capo (lembra do filme Al Capone) mas, conforme a empresa crescia, a frota de veículos também, e junto surgiam também,  novas responsabilidades no trabalho.
Ela observava o mundo a sua volta modificando-se, mas seu foco principal, ainda era, adaptar-se ao novo país e sobreviver, ou como diz um ditado popular: “matar um leão por dia”, até que, um dia o boss perguntou:
- Você sabe dirigir?
Assustada com a pergunta, e sem reconhecer os modelos de carros que tinha à sua frente, rapidamente respondeu:
- Não! Não sei dirigir!
Independente da língua, “não” deveria ser “não”, pois é uma palavra acompanhada por sinais gestuais e movimento de cabeça, capazes de demonstrar ser uma resposta negativa. E, é claro, que aquele homem importante e inteligente, dono de um império da moda, compreendia a sua resposta. Porém, foi só com o tempo, trabalhando com ele, que aprendeu que ele era uma pessoa de sucesso porque uma resposta negativa deveria se transformar em positiva, e rapidamente. 
Ele pegou um telefone, chamou a assistente da diretoria da empresa, e disse:
- Procure uma autoescola para a nova funcionária-estrangeira, ela precisa aprender a dirigir “amanhã”.
Imediatamente seguiu a assistente, enunciando, que não era “apenas” um problema de não saber dirigir, ela tinha medo. Ela tinha total desconhecimento dos veículos que o boss compara, disse que não conhecia aqueles modelos de carros no Brasil, e que tinha medo de andar num daqueles veículos “estranhos’ que ela via na garagem da casa e da empresa.
A assistente ria, achava engraçado ver uma pessoa com medo de uma fazer uma coisa boa. Esse sentimento inusitado fez com que ela fosse classificada como uma estrangeira-especial, particular, pois era a única pessoa que ela conhecia que não tinha vontade de dirigir carros como: Maserati; Mercedes-Benz; BMW; Volkswagen e Fiat. Sem falar na Ferrari, que ela percebeu o total desconhecimento daquela estrangeira sobre qual era a Ferrari (melhor deixar essa história para outro dia, uma vergonha, essas coisas que só acontecem em filmes...enfim, deixa prá lá...rs rs ).
E foi assim que a nova funcionária-estrangeira iniciou a autoescola, agora na Itália. Após 60 dias tinha obtido uma patente di guida, ou seja, ela tinha uma carteira de motorista, que autorizava-a a guiar diversos carros, desconhecidos e velozes, que lhe causavam medo!!! Assim, evitou contar que estava habilitada, para ter tempo de ir se acostumando com a ideia de que, a partir do momento que iniciasse a trabalhar como motorista particular, teria que ver aqueles carros, apenas uma máquina de condução, que é o que eles eram, e não como um objeto de consumo que determina uma classe social, poder e sedução.
Infelizmente, não é possível fugir ao destino, e ser motorista daquela família, era algo que já parecia estar escrito nas páginas do livro da vida daquela estrangeira, por isso, em algum momento, ela assumiria mais essa função.
O inverno chegou preanunciando que o tempo de fuga tinha terminado. Naquele dia, a neve havia caído o dia todo e ela não percebeu. Trabalhar numa empresa, na temperatura agradável de 22 graus, mantinha o corpo aquecido, o que permitia passar o dia usando roupas leves e camiseta de mangas curtas, enquanto que lá fora, a temperatura já estava em torno de menos 10 graus. Foi só ao fim do expediente, que se deu conta disso e assustada, pediu uma carona para casa. Os outros empregados não iam para a sua direção, assim só lhe restava pedir carona para o boss, que não tinha previsão de ir embora e irritado, disse-lhe:
- Você tem vários carros à sua disposição para ir para casa, escolha um e vá!
Ela, com os olhos marejados, disse:
- Acabei de aprender a dirigir e não sei guiar na neve...
Ele não se comoveu, simplesmente respondeu:
- Chegou a hora de enfrentar esse medo! A gente sempre tem o poder de escolher, assim: ou você pega um carro e vai para casa; ou você dorme dentro de um carro, é uma decisão sua... Disse isso saindo das garagens e voltando para suas tarefas na empresa.
Ela sentou-se no chão e chorou, não sabia o que fazer, foi quanto percebeu que quanto mais demorava para tomar uma decisão, mais a neve aumentava. 
A sua mente, assustada, por um momento, até cogitou a ideia de passar a noite dentro de um dos carros, no estacionamento da empresa, mas então lembrou-se que aquela era uma zona industrial, não havia nenhuma casa por perto, seria perigoso. Então, enxugou as lágrimas, decidiu que era a hora de partir.
Escolheu o carro menor, um smart. Depois descobriu que essa não era a melhor opção, ele tinha apenas 2 pedais e ela precisava aprender a lidar rapidamente com o câmbio automático. Aprendeu, na garagem, que as marchas eram ao contrário, assim que assimilou como andar naquele veículo, ergueu os olhos e descobriu que não enxergava nada, o gelo estava grosso e o ar quente demorava muito a fazer efeito, precisava descobrir um modo de “descongelar” a grossa camada de gelo que cobria os vidros.
A primeira ideia sua foi jogar água, não funcionou; tentou raspar com uma faca, também não obteve bom resultado; continuou procurando entender os objetos que tinha a sua disposição no carro e foi quando encontrou 1 kg de sal, sabia que ele devia ter alguma finalidade, já que churrasco não era uma especialidade italiana, assim, arriscou jogar nos vidros e finalmente, o gelo começou a derreter.
Ela ria e chorava, enquanto o gelo derretia. Quando finalmente se acalmou, sabia que tinha chegado a hora de enfrentar o seu medo.
Na estrada, aprendeu que não podia sair fora da fila indiana, local onde o gelo era mais firme; descobriu isso por descuido, quando o carro aquaplanou
Foi também na prática, que aprendeu a necessidade de manter-se numa velocidade constante e nunca, nunca acelerar nessas “geleiras”, pois o carro derrapa e te joga para fora da estrada. Ela ficou em sentido contrário, na pista, só uma vez, os motoristas, mais experientes, haviam percebido que ela estava aprendendo a guiar na neve e mantiveram a distância de segurança, os alertas dos carros piscavam e, gentilmente, esperaram que ela retomasse o seu lugar na fila da autoestrada. 
Nessa noite, ela percebeu que um trajeto que se fazia em trinta minutos, durou uma hora e trinta minutos, mas que para ela, parecia ter durado uma eternidade.
Quando chegou em casa, enfim respirou fundo e descansou, sentia a roupa que estava usando, estava colada no corpo, completamente molhada, graças ao suor causado pela adrenalina, mas ela estava bem, tinha conseguido chegar em casa, sã e salva. Porém, seu corpo mostrou que ainda estava sob efeito do estresse, ela não sentia as pernas, quando relaxou percebeu que não tinha forças para sair do carro, tudo tremia-lhe, as pernas, o mundo. Precisou ficar dentro do carro mais um tempo, respirou fundo novamente, olhou para o céu, e então, percebeu que era uma noite maravilhosa e que ela, uma estrangeira, tinha aprendido a guiar na neve italiana, sozinha, naquela noite linda.
Agora, essas lembranças eram para ela, mais do que uma maneira de compartilhar emoções, eram uma forma de terapia, capaz de ajudá-la a curar-se dos monstros que povoavam-lhe os pensamentos, desencorajando-a de seguir o seu destino, de tomar “uma decisão”. Agora, ela sabia que podia aprender a expulsá-los com sal, aquele agente químico poderoso, que derrete a neve, também era, capaz expulsar os seus demônios. Terminou de escrever e decidiu tomar um bom banho frio – com sal grosso – depois, deitou-se na cama, abriu a janela e admirou a lua, era uma noite linda, estava em casa, viva! 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Eu fui... Babysitter!


A negociação para encontrar um emprego na Itália começou em Portugal, onde eu trabalhava numa ótica e relojoaria e o patrão, que era Ítalo-brasileiro, costumava acompanhar as notícias dos jornais italianos. Um belo dia, encontramos um anúncio, de uma família italiana, que precisava de uma babysitter, ao qual respondemos. Depois de uma semana de negociações, fui contratada. Não por ter alguma experiência, mas sim por ter referências, ou seja, a qualificação mais importante, naquele momento, era ser uma “pessoa de confiança”.

Parti para Verona e fui trabalhar com uma família que tinha duas crianças: Leonardo, de 10 anos e Arianna, de 3 anos.
Léo, era um garoto tímido e a minha missão era levá-lo para a escola no início da manhã e buscá-lo ao fim do dia; em casa ele gostava de ficar jogando no computador, ou seja, era muito fácil cuidar dele, pois já era independente.
Arianna, era uma menina linda e alegre, não sabia falar direito, mas já sabia exatamente o que queria. Me apaixonei imediatamente por ela, porque me vi na mesma situação em que ela estava, no sentido de que eu também, não sabia falar italiano direito, mas sabia o que queria e estava determinada a ficar na Itália.
Eu e ela passávamos o dia juntas e percebi que os problemas que surgiram foi porque eu não era uma babysitter cultural. Cultural? Você nunca ouviu falar sobre isso, nem eu, até acontecer comigo. Vamos aos exemplos, acredito que eles conseguirão explicar melhor essa modalidade de trabalho que, deveria, estar catalogada no dicionário.
A primeira vez que preparei uma refeição sozinha com a Arianna, segui as instruções de preparo, arrumei a mesa, como faria se estivesse na minha casa no Brasil, ou seja, coloquei uma toalha na mesa, o macarrão num prato fundo e dei um garfo para ela poder comer. A menina olhou para “aquilo” e ficou chocada – não tocou em nada –  recusando-se a comer.
Primeiramente pensei que a pasta não estava al dente, que tinha esquecido o sal e sei lá mais o que...então, experimentei, e não achei o defeito. Tentei argumentar com ela, sem sucesso; tentei colocar a comida na sua boca, ela não aceitou dizendo que: “não era mais criança e sabia comer sozinha”. Desisti! Como não tinha um bom vocabulário para negociar pedi para ela me mostrar aonde estava o problema. Está preparado? Lá vai!
A menina pegou um prato raso e colocou embaixo do prato fundo; colocou os três talheres na mesa (garfo, faca e colher); colocou os dois copos (água e suco); e finalmente, botou o guardanapo de pano em volta do pescoço. Fiquei impressionada. Não é que a “pestinha” não tinha aceitado comer porque a mesa não estava arrumada de acordo com os moldes do costume italiano? O jeito foi arrumar o meu prato igual o dela e finalmente, conseguimos comer.
Esse foi o meu primeiro choque cultural como babysitter, tá rindo? Eu chorei!
Vou contar só mais uma “trapalhada” na esperança de continuar com alguma moral entre os meus fãs leitores... rs rs.
Nasci no Brasil, só conheci a neve na Itália, sendo assim, a minha experiência com roupas italianas para estações frias era... zero. Tive que aprender tudo morando lá e sabe com quem? Com a minha Profa. Arianna (tá rindo né!), tudo bem, chega de me lamentar, vamos aos fatos.
Uma bela manhã, de chão branquinho, expliquei para a ela que iríamos descer no parquinho, para brincar na neve. Depois de passar quase uma hora vestindo-a ela não se moveu do quarto. Novamente, comecei a minha argumentação, sem êxito. Não conseguia saber o que ela queria. Então, se as palavras são vãs, os exemplos arrebatam. Me acalmei, e pedi para ela mostrar-me onde estava o problema. Foi então que ela me pediu para ajudá-la a “tirar” as roupas que eu tinha demorado um tempão para  escolher e colocar nela...
- O que? - Como assim? Tentei replicar!
Então, mesmo em pânico, prossegui obedecendo a menina e quando terminamos de tirar tudo, ela abriu as gavetas e mostrou-me que eu devia vestir por primeiro uma camisetinha regata e depois uma mini ceroula, roupas feitas de um tecido fofinho que deixa o corpo aquecido, só depois, pode-se colocar a camiseta de manga longa, a blusa de lã e a jaqueta impermeável com a calça impermeável. Pronto! Ao invés de um monte de roupas, se poderia colocar apenas algumas, mas as certas né?!! (rs rs rs)
Finalmente, conseguimos sair de casa e fomos tomar um gelato, outro costume italiano que aprendi por lá. Que é melhor tomar sorvete no inverno, para não ocorrer um choque térmico na garganta, ao contrário do que eu fazia no Brasil, tomar sorvete no verão.
Após esses relatos, penso que foi possível perceber a minha dificuldade de ser uma babysitter cultural, ou seja, a Arianna me mostrou que se não conheço a cultura, também não sei falar a língua de um pais.
Depois de alguns meses, pedi demissão, admiti a minha inaptidão para a função. Porém, como passei a trabalhar na empresa de roupas do pai dela, o combinado era que, nos finais de semana ou viagens, eu seria a babysitter da Arianna, que já tinha percebido que eu não entendia nada da sua cultura, mas ela sabia que tinha encontrado um lugarzinho especial no meu coração.
A foto acima, é ela, desfilando a coleção Kids, na empresa do pai dela, enquanto eu estava nos bastidores do desfile, ajudando a vestir as modelos.
Ah! Desta vez, eu já sabia como se deveria vestir as crianças, as roupas estavam colocadas em cabides, separados com o nome de cada uma delas, era só seguir o catálogo do desfile, de acordo com o tema da coleção da estação (inverno ou verão). 

Gostou? Espero que sim! (risos). Adoraria ouvir a sua opinião nos comentários.


sábado, 12 de janeiro de 2019

Eu fui... Roqueira!

Era um período de espera, em razão da queda sofrida, a melhor diversão do dia era ir para a fisioterapia, que aos poucos, trazia mobilidade ao braço fraturado.

O local da fisio era agradável, o doutor era eficiente, gentil e "roqueiro", o que tornava o ambiente mais humanizado e o tempo de espera, entre a dor e os exercícios, mais agradável.

Enquanto ouvia-se a música de fundo, era possível imaginar que o doutor poderia estar orientando algum aluno de mestrado sobre: A importância do Rock como Musicoterapia Curativa de Lesões Musculares, pois esse seria um estudo bastante prazeroso de se fazer, pensava ela.

Aos poucos, percebia-se que o doutor era fã do Pink Floyd e então, um dia, ao fim da terapia, ela perguntou:

- O sr. foi ao show do Roger Waters?

- Não fui! Infelizmente, mesmo tendo sido aqui perto, em Curitiba, não foi possível, respondeu ele.

Ela ainda insistiu:

- Desculpe, mas um fã como os sr. deveria ter a oportunidade de ir a ao show do Roger Waters, porque essas músicas, que ouvimos todas as manhãs aqui na fisio, fazem parte da história e emocionam, imagine como seria ouvi-las, ao vivo, num show... seria maravilhoso!

Ele então perguntou:

- Você foi ao show?

- Fui, respondeu ela, mas, em Portugal! Foi um dos shows mais emocionantes da minha vida. Ter a oportunidade de estar próximo de um dos criadores do Pink Floyd, ouvir as explicações sobre as músicas concebidas por Roger Waters e assistir, num telão gigante, a simbologia de criações musicais representadas por martelos marchando, numa entrada triunfal, por exemplo, que pareciam soldados vindo em direção dos espectadores, assustando-os; poder soltar a voz em uma música provocadora como em: Hei Teacher!; é difícil descrever o turbilhão de emoções transcorridas naquele show. O que posso dizer é que ouvir o som de uma guitarra, sendo dedilhada com perfeição, é muito mágico! Isso sem falar da energia contagiante do show, a união de pessoas, de várias partes do mundo, cantando em uníssono... é uma emoção colossal, faltam-me palavras para descrever tudo o que vi, ouvi, cantei e vivi, acrescentou ela.

Vendo que ele a ouvia atentamente, com um brilho nos olhos, ela insistiu:

- Por que mesmo o sr. não foi ao show do Roger Waters?

- Porque temos uma filha de 3 anos, ainda é um pouco complicado sairmos...

Então ela argumentou:

- Eu já fui babysitter, posso cuidar da menina para vocês saírem, e acrescentou, o próximo show importante que tiver no Brasil me chamem que eu fico com ela, o que não pode, é um fã de rock como o sr. deixar de ouvir algum dos ícones musicais mundiais, que adora, ao vivo. Tem que ver e ouvir, antes que eles morram... Riram concordando e se despediram, desejando um ótimo fim de semana, de preferência, ao som das músicas do Roger Waters.

Agora, enquanto ela escreve os momentos transcorridos nesse dia, lembrou-se que citou o tempo em que foi babysitterna Itália. Então, pensou que esse seria um bom momento de contar, no blog, algumas experiências vividas, também na Europa.

Assim, haverá uma série, nominada “Eu fui”, relatada aqui, de acordo com os acontecimentos do presente que lhe remeterem ao passado, para que possam ser relembrados, como um tempo cercado de dificuldades, mas também, como um tempo de superação e muita vontade de aprender, pois o maior desejo dela, foi, de tornar-se uma pessoa melhor, a cada dia, em qualquer lugar do mundo.

Ao fim da leiturinha de hoje, ergue o som e ouça, o “grande”: https://rogerwaters.com/

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Reflexão diante do Firmamento e do Caixão


Deitada no banco da Praça da Igreja, ela olhava o céu e se perguntava:
- Para que serve o firmamento? 
E a resposta, intuitivamente, surgira em sua mente:
- Para lembrar-me da minha pequenez... 
Depois de meditar, levantou-se, caminhou até a Capela Mortuária, criou coragem, entrou, e ao ver o morto, se perguntou:
- Para que serve um velório?
- Para lembrar-me da minha pequenez... 


Era janeiro de 2019 e desta vez o destino escolhido não foi de férias, foi para casa de parentes, no norte do PR, com o objetivo de dar um abraço nos primos que também estavam na estrada e se encontrariam para o enterro do pai, que se foi antes do combinado, para uma outra dimensão. 
Esses encontros familiares, inesperados, podem ser oportunidades de reflexão pessoal e também de recordar boas histórias de vida, já que costuma-se encontrar pessoas que não se veem há muitos anos e cada um se lembra de algo que foi vivido junto no passado. 
O falecido era um ótimo churrasqueiro, gostava de receber amigos, assim o freezer estava cheio de carne e de cerveja. Depois do enterro, os parentes realizaram um churrasco e beberam em homenagem à vida e aos bons momentos vividos naquela casa, em companhia dele. 
Os parentes vieram de Portugal, França, São Paulo, Minas e Paraná, alguns tinham chegado para as comemorações do Ano Novo e outros foram informados de última hora, todos vieram, para dar um último abraço ao que se foi, e dar muito mais abraços aos que ficaram. 
No domingo, depois de terem conseguido fazer a camionete do pai funcionar, os filhos se reuniram para levar a mãe para ver o pequeno porto que existe há 10 Km da casa, mas que a mãe não conhecia, porque o pai não gostaria de colocar a camionete em uma estrada de chão. Assim, ele perdeu a oportunidade de ver a beleza do rio Parapanema, um divisor natural dos territórios dos Estados de São Paulo e Paraná e suas ilhas, e não pode colocar os pés naquelas águas, reunido com toda a sua família. 
E foi assim que novo ano se iniciou, com famílias unidas em orações e pedidos de perdão pelos pecados de gula e soberba e outros pecados capitais, que não teriam sido cometidos em tão pouco tempo, se viver não fosse urgente. 
Diante do firmamento e diante de um caixão, existe um momento de reflexão, que possibilitam-nos lembrar que temos a oportunidade de realizar os nossos sonhos, agora, antes que a passagem final se concretize e nos mostre a nossa pequenez... 

N. Londrina, 03/01/2019.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Marias, Antônios, Josés e... Ricardos




Para a numerologia, o número 8 costuma ser lembrado como o símbolo do infinito e representa o ilimitado, o fluxo sem início ou fim, ou seja, característica que o associa à inexistência de nascimento e de morte e, assim, o envolve nas dualidades físico/espiritual e terreno/divino. 


Às vezes é a curiosidade que nos leva a buscar o significado das coisas, como a simbologia de um número ou a força que caracteriza a escolha de um nome para receber uma pessoa que nascerá, pois se deseja compreender a influência, ou não, que esses símbolos têm nas escolhas que se repetem por gerações numa família. Escolhas essas, que quando refletidas, nos levem a perceber que talvez não são escolhas simples ou ao acaso como poderíamos pensar, já que parecem ser predestinadas em algumas famílias pelos antepassados. 


E como se formaliza um nascimento? Com a escolha de um nome. Uma mulher, enquanto aguarda o dia em que terá seu filho nos braços, tem tempo para pensar e escolher um nome que represente um sentimento que ela deseja para seu filho, e escolhe com cuidado e muito amor, para que esse nome possa ser usado como um amuleto que o proteja e o represente socialmente. 


Gosto muito das famílias que têm no nome Maria, como a sua força, observa-se que as mulheres que vão nascendo naquele clã, vão incluindo o nome de Maria porque acreditam nas bênçãos que esse nome carrega consigo, acho lindo! 


Em outras famílias são os Antônios, os Josés, que vão sendo repetidos de geração em geração como uma forma de não esquecer o primeiro antepassado, valorizar os feitos do passado homenageando-o no presente. 


Dentre tantos nomes marcados com significados fortes, destaco também o nome Riccardo, que na simbologia, é considerado um Rei com o “coração de um leão”, e porque me interessei por um antepassado que nasceu na Itália em 1880 e assim entra na proposta desta leitura, observar algumas marcas ocorridas, com algumas pessoas ligadas com o número 8, ao logo do tempo. Coincidências? Destino? Quais as influências ligadas as pessoas com esse nome e que se repetiam a cada década? Conforme as ocorrências aconteceram passei a prestar mais atenção no que o antepassado da távola redonda gostaria de transmitir para as novas gerações. 


Assim, escolhi alguns eventos, reais/fictícios, e sua representatividade para fazer essa viagem no tempo, fechando o ciclo de 2018: 


1908 - Os primeiros imigrantes, partiram da Itália; Riccardo se casa no Brasil; 


1968 - Maria parte para a Itália, busca conhecer a sua descendência; 


1978 - José se casa; a tv mostra Ricardo, de apenas 3 anos, fazer o sorteio da Copa do mundo; 


1988 - Riccardo Júnior nasceria; enquanto Ricardo se casaria voando num belo aeroplano; 


1998 - José se divorcia; Ricardo tentaria... 


2008 - Richard, jovem canadense, faz palestra sobre amor incondicional, na Bósnia; 


2018 - Antônio escolhe uma Maria para ser orientanda no Mestrado; Ricardo comemora Bodas de Pérola; Reencontros de Ricardos: no Brasil, um que vê, mas não fala...enquanto que na Itália; Riccardo não vê, mas fala da saudade do que não viveu. 


Enfim, foi um tempo de desatar os nós e agradecer pelos (re) encontros que a vida proporcionou. 


Que em 2019 as Marias, os Antônios, os Josés e os Ricardos; de todo o mundo encontrem a felicidade "até onde é possível", diria um deles, já que, "não existe felicidade plena". 


Feliz Ano Novo!


domingo, 23 de dezembro de 2018

AS TERRAS POR ONDE ANDEI, A ITÁLIA QUE ENCONTREI


O viajante vai a lugares desconhecidos por diversos motivos, já que “é sua vontade e curiosidade que o motivará a percorrer os caminhos” Luís Romano (2013, p. 34) em busca de conhecer novos locais e principalmente novas culturas. Inicialmente a viagem surge movida por algumas perguntas: O que configura uma nação? Qual a importância cultural do seu povo? Quais são os costumes característicos dessa sociedade? Depois de muitas indagações, horas de voos, trens, ônibus e caminhadas na busca de respostas para algumas dessas perguntas, o viajante começa a perceber a diversidade cultural como uma das características especiais de cada país, e, desta maneira, busca localizar os pontos de atração dessa nação desconhecida com a sua própria cultura, de modo a permitir uma proximidade com os costumes daquele povo. E assim, ansioso por fazer parte da cultura do chamado outro Mundo, o viajante se põe a caminhar. Romano (2013, p.34) destaca que “a intenção passa a distinguir o turismo da viagem tradicional”, na qual se localiza o “viajante tradicional” que se desloca, principalmente, “por necessidade, em função de atividades de Estado, comerciais ou de crenças religiosas” enquanto que “o turista” é o indivíduo que coloca, em primeiro lugar, “motivações pessoais, a viagem como aventura, distinção social ou lazer torna-se um fim em si mesmo” Romano (2013, p.34). A primeira parada atrativa (e mais fácil, por conta da identidade linguística) ao falante da Língua Portuguesa será na chamada “terra dos sonhos”, a terra dos descobridores do Brasil, ou seja, a viagem inicia-se pela cauda Ocidental da Europa, na bela Portugal. Descobrir a terra de Camões, de Fernando Pessoa, de gente bravia que no século XII abriram caminho para o novo mundo com suas potentes caravelas. Neste país, o viajante repousa um tempo na busca de compreender como a coragem do povo lusitano foi capaz de colonizar tantos povos e nações, sendo um país tão pequeno e tendo sido, ele também, dominado por outros povos. O viajante, ao parar na frente do imponente monumento dos Descobridores, em Lisboa, reconhece nele um símbolo da representatividade da coragem de um povo como a sua maior força, pois eles sonharam e acreditaram na existência de outras civilizações além-mar e foram ao encontro delas. Após essa reflexão, o viajante compreende que foi ali, naquele lugar, agora representado por um monumento, que Portugal enxergou um novo país, chamado Brasil, e reconhece este lugar como um porto, não apenas como um lugar de partidas e chegadas, mas como um lugar de paragem. E nessa caminhada, recordo os versos do poeta Narlan Matos (2012, p.49) quando diz “na estrada que me leva de volta para casa não há como fugir de mim”, e assim o viajante compreende que essas terras lusitanas o conduzem de volta para casa e pode ser também um lugar de permanência. Porém, passando alguns anos, o viajante sente vontade de recomeçar a sua viagem e parte para a Espanha, para conhecer a terra dos reis que dominaram a sua amada Portugal. No século XX as viagens para a Espanha costumam ser para apreciar as obras de alguns artistas importantes como: Pablo Picasso, Joan Miró e Salvador Dalí. Nesse país, o viajante descobre, também, a existência da divisão de línguas e de costumes internas e intensas, mesmo todos sendo espanhóis e pertencentes das mesmas terras; essa cultura desconhecida assusta o viajante, de forma que ele decide prosseguir viagem. Romano (2013, p. 34) destaca que “é sua vontade e curiosidade que o motivará a percorrer [novos] caminhos. Assim, a estrada agora leva o viajante para a “Cidade das Luzes”, a bela Paris, com sua imponente Torre Eifell, com o Museu do Louvre e a enigmática Catedral de Notre-Dame, esses locais impressionam, tanto quanto as pinturas de Claude Monet e Pierre Auguste Renoir, que farão o viajante admirar essa cultura. Entretanto, mesmo diante de tanta beleza, o viajante ainda não sabe qual país será capaz de aquietar o seu coração, então ele decide que é hora de deixar o barco que atravessa o rio Sena para pegar mais um voo, no fantástico aeroporto Charles de Gaulle, agora rumo a Itália. O escritor Ítalo Calvino (1990, p.6) cita em sua obra As cidades invisíveis que o viajante após ter saciado a sua curiosidade, percebe que “os desejos agora são [apenas] recordações”. E assim, na ânsia de se localizar, no tempo e no espaço em que vive, o viajante chega a Itália para apreciar um bom vinho, para comer uma boa pizza e parlare com gli amici. Calvino destaca ainda que “cada pessoa tem em mente uma cidade [país] feita unicamente de diferenças” (1990, p.17) e são diferenças que fazem o viajante desejar uma aproximação para conhecer a diversidade cultural que caracteriza uma nação. Na Itália, a primeira cidade pela qual ele se encanta será Roma, uma cidade que possui dentro de si, outro país, o Estado do Vaticano, lugar de religiosidade e monumentos que o tempo não destruiu para que a nova geração possa ver e conhecer a cultura de um povo capaz de, no imponente Colosseu, participar de festas culturais em que os cristãos eram comidos por leões. Nessa terra o viajante compreende a história de um povo que não se arrende diante das tempestades naturais, que convive com as larvas do Vesúvio e com terremotos, que sofre calamidades, mas não se arrende, reconstrói suas cidades graças a sua determinação e união. E finalmente, o viajante aprecia o jeito italiano de “falar com as mãos”, de vestir-se com elegância, de possuir a capacidade criar grandes óperas com drama e paixão, e aprende as regras de etiqueta de como tomar um vinho de acordo com o acompanhamento da “pasta”, e ainda, aprecia a originalidade de se mangiare pizza com a mão, então, nesse momento, o viajante começa a sentir-se em casa. Reconhece que cada país tem a sua cultura, e o viajante, após ter andado por terras portuguesas, espanholas e francesas descobre o seu porto seguro na Itália. Com o tempo compreenderá que talvez foi o DNA que corre em suas veias, graças aos seus antepassados, que o conduziram por essa estrada, e assim o viajante percebe que chegou. Pois ali, nesta terra, finalmente, entre músicas e bênçãos, sua alma se aquietou e já não sente mais saudade. SANTIAGO-DÍAZ (2014) cita que “Saudade, essa palavra que parece resumir toda uma idiossincrasia brasileira, aqui podia servir para resumir o estado animador que encoraja a escrita tanto nos poemas mais decididamente sociais como nos mais líricos. E acontece que, mesmo que o poeta esteja de volta a sua terra natal, sua consciência já se encontra afetada pelo deslocamento e pela distância do imigrante. SANTIAGO-DÍAZ (2014, p.186).

Referências
MATOS, Narlan. Elegia ao Novo Mundo e outros poemas. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2012
SANTIAGO-DÍAZ, Eleuterio. Narlan Matos e Elegia ao Novo Mundo e outros poemas: o prólogo extraviado. Revista de Literatura, História e Memória. v.10, p. 181-195, 2014.
CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
ROMANO, Luís A.C. Viagens e Viajantes: Uma Literatura de Viagens Contemporânea, Estação Literária. v. 10B, p. 33-48, 2013.